Há nesse mundo quem sofra mais do que eu? Sim, há.
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Em meu egoísmo, acabo colocando o meu sofrimento como absoluto, isso porque eu mesmo me enxergo ao choro em um cenário escuro de desespero... Mas e quem está lá fora, sofre também?
Eu passei a condenar as pessoas que não podiam ver a minha diluição em um mar de lágrimas, porém eu também não vejo quem chora fora do alcance dos meus olhos. Isso quer dizer que eles sofrem menos que eu? Não, não mesmo.
De dentro do meu apartamento, olhando do outro lado da janela, há uma altura capaz de quebrar todos os ossos do meu corpo, mas há também um mundo vasto de coisas que eu desconheço e que é impossível se fazer conhecer em sua totalidade. Há quem passe fome, há quem passe frio, há quem sofre o abandono, há quem sofre a guerra, há quem sofre porque eu fiz sofrer... Lá, muito longe ou muito perto, há todos os tipos de pessoas e todos os tipos de problemas, muitos deles sem uma solução imediata.
Eu vi meus pés dependurados na janela, balançando como se fossem mais leves do que realmente são. Bastava um impulso dos braços e lá estaria eu, em um voo breve. Mas que egoísta eu seria solucionando o meu problema em uma queda livre, e causando novos problemas a quem já tem muitos deles.
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